Até quando

 

Até quando vamos acreditar que uma doutrina, uma religião, um guru, alguém que se sente numa posição “privilegiada da verdade” guiará nossa vida?

Até quando vamos nos submeter a verdades alheias cujo propósito é anular o nosso sentir, nosso discernimento, com prepotentes promessas de “paraíso perdido”, de ser “especial” e “poderoso “?

Até quando vamos crer em mensagens que nos impõem castigos e obrigações, tentando impossibilitar nossa sagrada natureza humana?

Quem sente medo não realiza seus sonhos? Como se o medo não pertencesse à natureza humana e fosse um inimigo, em vez de um aliado. Sem medo não há mudanças, ele nos faz avançar, nos alerta.

Se você não vencer o ego, não se ilumina? Como se o ego também não pertencesse à natureza humana. Fora com a morte do ego! O ego é nosso eu, a individualidade de nossa potência. O ego, assim como um pé quebrado, deve ser cuidado. Por amor ao seu pé ou ao seu ego! Da mesma maneira, ambos estão adoecidos. Que mania com o ego!

Transformar-se num ser iluminado, sair da 3ª dimensão e transcender até a 4ª ou 5ª e alcançar a “glória do Divino“. Como se a imensidão divina não estivesse no dia a dia da vida e pudesse ser conquistada. Tremenda prepotência!

Até quando vamos carregar culpas? Se você agiu mal com alguém ou o contrário aconteceu, assuma a responsabilidade por seus sentimentos.

Até quando vamos precisar pensar positivo o tempo todo? Se você sente dor, raiva ou medo, é porque está vivo!

O passado não precisa ser carregado como um fardo. Honre seu caminho e reconheça os comportamentos que se repetem. Viva hoje!

Essas “verdades” impostas limitam a expressão de nossa sabedoria interna. São regras de como TEMOS que ser, fazer, pensar e sentir. Repetem o papel de pais tiranos, dizendo: “se você agir assim, vai ganhar um prêmio”. Mas o prêmio nunca chega, pois ele não existe.

A maior conquista do ser humano é a liberdade de ser o que se é.

Nessa conquista de si mesmo, a voz que guia só pode ser a sua, nenhuma outra. A vida não conhece repressão, castigos ou culpas e não precisa encontrar um paraíso perdido.

O verdadeiro desafio é despojar-nos de nossas armaduras defensivas (que até aqui foram necessárias) para lidar com aquilo que nos foi imposto, o falso que tivemos que aceitar para sobreviver. Nesse processo, reconhecemos nosso verdadeiro EU, que é grato pela vida, livre, autêntico e espontâneo, consciente das suas feridas e de sua potência.

Então podemos desfrutar com plenitude nossa condição humana.